sábado, 6 de março de 2010


– Pensei que nos daríamos bem quando te conheci. Você me pareceu maravilhoso. Entrou na minha vida me prometendo novas experiências, novas sensações e que eu nunca mais me sentiria sozinha. No começo, fui feliz, é verdade; te devo isso. Mas agora tudo mudou. Não posso mais sair de casa, encontrar meus amigos, visitar minha família. Vivo presa por sua causa. Há dias que não durmo, preocupada com você, esperando que me dê notícias. Não agüento mais tanta pressão. Queria poder te esquecer, te botar pra fora da minha casa, da minha vida, mas não consigo. Não tenho forças. Acho que me tornei dependente de você. Se tento ficar longe, sinto sua presença a me chamar. Se tento me distrair com alguma coisa, logo me pego pensando em você. Já pensei até em arrumar outro, mas tenho medo que todos sejam iguais a você. Pra mim, esta situação chegou ao limite. Por isso estou aqui. Vim me despedir. Esta será nossa última conversa.

Terminou de digitar o texto que declamava. No quarto transformado em escritório, apenas uma fresta de luz passava pela janela fechada, o suficiente para iluminar o teclado. Recostou-se na cadeira de couro marrom rasgado, como se esperasse que alguém a dissuadisse. Deixou que se passassem dois minutos, entretanto suas palavras permaneceram na tela como antes. Como se agisse dopada, pegou o revólver que estava sobre a mesa, ao lado do teclado. Ergueu-o pausadamente. Segurando-o com as duas mãos, mirou a tela do computador. Atirou.

– Morri!

Ficou ali, sentada, enquanto olhava a tela estilhaçada.

Em algum lugar do planeta, uma pessoa lia sua mensagem numa sala de chat– um lugar onde as pessoas conversam pelo computador.




"Gosto de dizer que tenho um dragão que mora comigo, embora não seja verdade. Como eu dizia, um dragão jamais pertence a nem mora com alguém. Seja uma pessoa banal igual a mim, seja um unicórnio, salamandra, elfo, sereia ou ogro. Eles não dividem seus hábitos. Ninguém é capaz de compreender um dragão. Quem poderia compreender, por exemplo, que logo ao despertar (e isso pode acontecer em qualquer horário, já que o dia e a noite deles acontecem para dentro) sempre batem a cauda três vezes, como se estivessem furiosos, soltando fogo pelas ventas e carbonizando qualquer coisa próxima num raio de mais de cinco metros? Hoje, pondero: talvez seja a sua maneira desajeitada de dizer: que seja doce."

(Caio F.)
Estou explodindo em palavras lapidadas, manifestadas em dores, angustias, fracassos, encontros e desencontros, esperanças, enfim, milhões de sentimentos misturados, costurados em pequenas teias a formar um enorme mosaico de emoções que vai deixando sua marca mais cravada a cada segundo...e tudo isso ao som do bom e velho blues.
00:31hrs
- Insônia, ciúmes, raiva, noites em claro, abraços duradouros, tédio, felicidade, ansiedade, nervosismo, agitação, cafeína, responsabilidade, correria, risadas prolongadas, beijos, afeto, desejar alguém, ser desejado, músicas que enjoam, contas, amigas, amigos, casos e desencontros, mãe, brigas, perfumes, cremes, colchão, cobertor, travesseiros, cachorro, fome, música alta, música ruim, alegria, fumaça, prazer, risadas, desespero, desequilíbrio emocional, euforia, água, sabão, mangueira, banho, 18 anos, velocidade, vento, cheiro de grama cortada, cheiro de terra, cheiro de cocô de cavalo da rua de baixo, batata frita com queijo ralado no onibus, sexy on the beach, vodka, tequila, suco de goiaba, razão, certeza, incerteza, emoçao, coração, caracterização, toque do celular, aquela ligação, o fim, rua, chegada de sms, minha casa, meu quarto, meu computador, meus livros, luz, pijama, noite, claro, escuro, chão, teto, escada, tombos, futuro, carreira, preocupações...insônia.

sexta-feira, 5 de março de 2010


E tudo que eu andava fazendo e sendo eu não queria que ele visse nem soubesse, mas depois de pensar isso me deu um desgosto porque fui percebendo (...) que talvez eu não quisesse que ele soubesse que eu era eu, e eu era.
(Caio Fernando Abreu)

terça-feira, 2 de março de 2010


"Eu quero a sorte de um amor tranqüilo, com sabor de fruta mordida..."
(Todo amor que houver nessa vida)