quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Silêncio.
A vida pas...
Silêncio.

sábado, 31 de julho de 2010

Ontem, no entanto, perdi durante horas e horas a minha montagem humana. Se tiver coragem, eu me deixarei continuar perdido. Mas tenho medo do que é novo e tenho medo de viver o que não entendo - quero sempre ter a garantia de pelo menos estar pensando que entendo, não sei me entregar à desorientação. Como é que se explica que o meu maior medo seja exatamente em relação a ser? e no entanto não há outro caminho. Como se explica que meu maior medo seja exatamente o de ir vivendo o que for sendo? como é que se explica que eu não tolere ver, só porque a vida não é o que eu pensava e sim outra coisa - como se antes eu tivesse sabido o que era.
Trago, fechado no peito, um baú de guardados. Jóias, gemas e pérolas que podem ofuscar meus olhos. Pedras, perdas, penas que conseguem represar meu rio. Mas basta um som de flauta, um dedilhar de piano, o acorde de um violão, o cristal de uma voz e todas as comportas se abrem e me descobrem, levando de roldão tudo que cabe nesse cofre desvendado, o coração.
Jóias, gemas, pérolas, pedras, perdas, penas. Brilhos que se confundem no que sou. Rolam nas águas e me levam para perto, bem mais perto de onde estou.

quarta-feira, 28 de julho de 2010

árvore frondosa
mas é na seca
que o pássaro pousa

terça-feira, 27 de julho de 2010

Navegava Alexandre em uma poderosa armada pelo Mar Eritreu a conquistar a Índia, e como fosse trazido à sua presença um pirata que por ali andava roubando os pescadores, repreendeu-o muito Alexandre de andar em tão mau ofício; porém, ele, que não era medroso nem lerdo, respondeu assim. - Basta, senhor, que eu, porque roubo em uma barca, sou ladrão, e vós, porque roubais em uma armada, sois imperador? - Assim é. O roubar pouco é culpa, o roubar muito é grandeza; o roubar com pouco poder faz os piratas, o roubar com muito, os Alexandres. (...) O ladrão que furta para comer não vai, nem leva ao inferno; os que não só vão, mas levam, de que eu trato, são outros ladrões, de maior calibre e de mais alta esfera (...) Os outros ladrões roubam um homem: estes roubam cidades e reinos; os outros furtam debaixo do seu risco: estes sem temor, nem perigo; os outros, se furtam, são enforcados: estes furtam e enforcam.
(Padre Antônio Vieira)

sábado, 24 de julho de 2010

Ainda não percebera que na verdade não estava distraído, estava era de uma atenção sem esforço, estava sendo uma coisa muito rara: livre.

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Ó tu do meu amor fiel traslado,
Mariposa entre as chamas consumida,
Pois, se à força do ardor perdes a vida,
A violência do fogo me há prostrado;

Tu de amante o teu fim hás encontrado,
Essa flama girando apetecida;
Eu girando uma penha endurecida,
No fogo que exalou morro abrasado.

Ambos de firmes anelando chamas,
Tu a vida deixas, eu a morte imploro,
Nas constâncias iguais, iguais nas chamas.

Mas ai! que a diferença entre nós choro,
Pois acabando tu ao fogo que amas,
Eu morro sem chegar à luz que adoro.

(Gregório de Matos, Obra Poética. Ed. de James Amado, Rio de Janeiro, Record, 1990. V.1, p. 425.)


Depois que encontrei esse soneto no meio da apostila, descobri que vale a pena estudar literatura.