terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Na verdade (a garota sempre tentando ser transparente consigo mesmo, uma quase adaptação de Macabéa), não sei como começar esse texto, talvez porque não saiba nem como organizar as palavras certas, no lugar certo da minha mente inundada por essa perdição desconexa. Pensando bem, o que há dentro de mim se trata de quê? Acho que é um preenchimento vazio… Algo existente entre minha mente e meu coração, um certo lugar que não sei localizar. E agora me pergunto: Será que esse lugar é a tão falada alma? Sei lá, mas, milagrosamente, acho que sei sobre o que é esse vazio. É vazio de amor, de abraço, de corpos entrelaçados e olhos desejosos; também vazio de boca faminta, sorriso sincero e felicidade mútua. O preenchimento se trata de memórias inexistentes, saudades de não sei o que, flashs psicodélicos e tristeza. Tristeza? Então é amor… Talvez? Não, é o oposto dele, é a incapacidade de tê-lo. Dor de amor dói, mas a morte e falta dele é de uma tristeza implacável: quase um velório com caixão lacrado e vazio, com o corpo perdido por aí. É ver a vida em branco e preto, bonita, confusa e tão sem graça, repleta de uma indiferença desconcertante. O coração teima em bater. Mas e a lágrima? O riso? Os sonhos?? Teimam em não existir.

(Maria Rita)

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Me diz no que isso vai dar? Para que me desdobrar, estraçalhar, lutar?
De qualquer forma, um dia seremos poeira.

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Silêncio.
A vida pas...
Silêncio.

sábado, 31 de julho de 2010

Ontem, no entanto, perdi durante horas e horas a minha montagem humana. Se tiver coragem, eu me deixarei continuar perdido. Mas tenho medo do que é novo e tenho medo de viver o que não entendo - quero sempre ter a garantia de pelo menos estar pensando que entendo, não sei me entregar à desorientação. Como é que se explica que o meu maior medo seja exatamente em relação a ser? e no entanto não há outro caminho. Como se explica que meu maior medo seja exatamente o de ir vivendo o que for sendo? como é que se explica que eu não tolere ver, só porque a vida não é o que eu pensava e sim outra coisa - como se antes eu tivesse sabido o que era.
Trago, fechado no peito, um baú de guardados. Jóias, gemas e pérolas que podem ofuscar meus olhos. Pedras, perdas, penas que conseguem represar meu rio. Mas basta um som de flauta, um dedilhar de piano, o acorde de um violão, o cristal de uma voz e todas as comportas se abrem e me descobrem, levando de roldão tudo que cabe nesse cofre desvendado, o coração.
Jóias, gemas, pérolas, pedras, perdas, penas. Brilhos que se confundem no que sou. Rolam nas águas e me levam para perto, bem mais perto de onde estou.

quarta-feira, 28 de julho de 2010

árvore frondosa
mas é na seca
que o pássaro pousa

terça-feira, 27 de julho de 2010

Navegava Alexandre em uma poderosa armada pelo Mar Eritreu a conquistar a Índia, e como fosse trazido à sua presença um pirata que por ali andava roubando os pescadores, repreendeu-o muito Alexandre de andar em tão mau ofício; porém, ele, que não era medroso nem lerdo, respondeu assim. - Basta, senhor, que eu, porque roubo em uma barca, sou ladrão, e vós, porque roubais em uma armada, sois imperador? - Assim é. O roubar pouco é culpa, o roubar muito é grandeza; o roubar com pouco poder faz os piratas, o roubar com muito, os Alexandres. (...) O ladrão que furta para comer não vai, nem leva ao inferno; os que não só vão, mas levam, de que eu trato, são outros ladrões, de maior calibre e de mais alta esfera (...) Os outros ladrões roubam um homem: estes roubam cidades e reinos; os outros furtam debaixo do seu risco: estes sem temor, nem perigo; os outros, se furtam, são enforcados: estes furtam e enforcam.
(Padre Antônio Vieira)